A evolução das cirurgias mamárias nos últimos 20 anos: da prótese ao suporte interno absorvível

A cirurgia mamária das últimas duas décadas não evoluiu apenas pela chegada de novos implantes. A mudança mais relevante aconteceu na própria forma de compreender a mama: além de volume, formato e cicatriz, passaram a ganhar importância a preservação tecidual, o posicionamento do implante, a estabilidade do envelope mamário e a qualidade do suporte ao longo do tempo.

Essa evolução acompanha um mercado de grande escala. Segundo a ISAPS Global Survey 2024, foram realizados cerca de 3,9 milhões de procedimentos mamários no mundo. No Brasil, foram aproximadamente 232,6 mil aumentos mamários, 137,7 mil mastopexias e 42,2 mil procedimentos de retirada de implantes em 2024.

Mais do que uma sucessão de técnicas, portanto, a cirurgia plástica mamária vive uma mudança de princípio: o planejamento deixou de se concentrar somente em remodelar a mama no intraoperatório para considerar como sustentar essa arquitetura quando os tecidos disponíveis não oferecem suporte suficiente.

O que é a evolução da cirurgia mamária?

A evolução da cirurgia mamária é a passagem de técnicas concentradas principalmente em remover, reposicionar ou acrescentar volume para abordagens que também consideram preservação tecidual, estabilidade estrutural e suporte dos tecidos. Implantes, enxertia de gordura, reconstrução prepectoral e matrizes cirúrgicas fazem parte desse processo.

Das primeiras próteses à cirurgia mamária contemporânea

A história ajuda a dimensionar o avanço.

Antes do desenvolvimento dos implantes modernos, diferentes materiais foram utilizados para aumentar o volume mamário, de gordura autóloga a parafina e silicone líquido,  frequentemente acompanhados de complicações importantes. A introdução dos primeiros implantes de silicone por Cronin e Gerow, em 1962, marcou o início da era moderna da mamoplastia de aumento.

Nas décadas seguintes, o desenvolvimento de diferentes gerações de implantes avançou paralelamente ao refinamento das técnicas cirúrgicas. Planos de posicionamento, desenho das incisões, tratamento do envelope cutâneo, controle do polo inferior e manejo do músculo peitoral passaram a ser considerados de forma cada vez mais individualizada.

A própria mastopexia acompanhou esse movimento. Técnicas de redução e elevação mamária evoluíram em busca de maior previsibilidade de forma e melhor manejo das cicatrizes, enquanto a mamoplastia de aumento passou a incorporar diferentes planos de colocação da prótese.

Hoje, entretanto, uma nova variável ocupa espaço crescente nessa equação: a qualidade estrutural dos tecidos que precisam sustentar o resultado.

O implante resolveu o volume, mas não necessariamente o suporte

Essa distinção é especialmente importante para compreender a cirurgia mamária contemporânea.

Um implante pode preencher o envelope e proporcionar projeção, mas não corrige, isoladamente, todas as alterações biomecânicas da mama. Na mastopexia de aumento, por exemplo, o cirurgião precisa simultaneamente elevar e remodelar tecidos e administrar o volume acrescentado pela prótese.

O desafio tende a se tornar ainda maior em cirurgias secundárias, terciárias ou em mamas submetidas a múltiplas intervenções, nas quais estruturas originalmente responsáveis pelo suporte podem estar alteradas.

É nesse contexto que problemas como deslocamento inferior do implante, lateralização, alterações do sulco inframamário e perda de estabilidade do envelope passam a exigir estratégias específicas de reconstrução do suporte.

Historicamente, suturas, retalhos locais e diferentes rearranjos teciduais têm sido utilizados para essa finalidade. Mais recentemente, matrizes e telas cirúrgicas ampliaram o repertório disponível ao cirurgião.

Reconstrução mamária abriu caminho para uma nova lógica de sustentação

Uma das transformações mais relevantes ocorreu inicialmente na cirurgia reconstrutiva.

Na reconstrução mamária baseada em implantes, especialmente após mastectomia, matrizes dérmicas acelulares e telas sintéticas passaram a ser empregadas para complementar a cobertura e o controle do pocket protético. A literatura descreve sua utilização associada ao melhor controle do espaço do implante e ao avanço das reconstruções prepectorais.

Esse movimento foi importante porque introduziu um princípio diferente: quando o tecido disponível não oferece suporte adequado, é possível acrescentar temporariamente uma estrutura destinada a reforçá-lo durante o processo de cicatrização e remodelamento.

O conceito abriu espaço para diferentes materiais, de matrizes biológicas derivadas de tecidos humanos ou animais a telas sintéticas permanentes e absorvíveis.

A escolha, porém, não pode ser reduzida simplesmente à presença ou ausência de uma tela. Origem do material, comportamento inflamatório, integração, tempo de absorção, indicação e evidência disponível são variáveis clinicamente relevantes. Revisões sistemáticas também ressaltam que a qualidade da evidência varia e que diferentes matrizes não devem ser consideradas equivalentes.

Telas absorvíveis representam uma nova etapa do suporte mamário

O desenvolvimento de telas sintéticas de longa duração e totalmente absorvíveis acrescentou uma possibilidade particularmente interessante: oferecer suporte durante a fase de remodelamento sem deixar um implante de reforço permanente.

A TIGR® Matrix, tecnologia disponibilizada no Brasil pela MEOTY, exemplifica esse princípio. A matriz utiliza dois tipos de fibras sintéticas com velocidades diferentes de degradação. Estudos descrevem uma fase de suporte mecânico seguida por transferência progressiva da carga para o tecido em remodelamento, com absorção completa das fibras de degradação mais lenta ao longo de aproximadamente três anos.

Essa arquitetura ajuda a explicar por que o conceito de tela absorvível difere tanto de uma estrutura permanente: a proposta não é substituir indefinidamente o tecido, mas participar temporariamente da fase em que ele necessita de reforço.

Experiências clínicas publicadas já avaliaram a TIGR® Matrix em reconstrução mamária e em procedimentos estéticos e revisionais. Um estudo prospectivo com 65 reconstruções imediatas encontrou taxas consideradas baixas de complicações maiores no grupo selecionado; outra publicação descreveu seu uso em cirurgia reconstrutiva e estética como alternativa potencial às matrizes dérmicas acelulares.

Mais recentemente, uma série de 100 reconstruções mamárias imediatas com TIGR® Matrix encontrou perfil de segurança considerado aceitável pelos autores, embora eles próprios ressaltem a necessidade de estudos prospectivos adicionais.

No Brasil, a indicação regulatória informada pelo fabricante é para reforço de tecidos moles em cirurgia mamária reconstrutiva, em procedimentos prepectorais e submusculares. A utilização deve sempre respeitar indicação, regulamentação local e julgamento clínico individual.

O que mudou, na prática, em duas décadas?

A evolução fica mais clara quando observamos como o raciocínio cirúrgico foi ampliado:

Momento da evoluçãoQuestão predominanteDesenvolvimento técnico
Implantes modernosComo acrescentar volume?Evolução de próteses e materiais
Refinamento dos planosOnde posicionar o implante?Subglandular, submuscular, dual plane e outros planos
Mastopexia contemporâneaComo reposicionar e remodelar?Técnicas mais individualizadas de ressecção e rearranjo
Cirurgia revisionalComo recuperar estabilidade em tecidos previamente operados?Reconstrução de pocket, suturas e rearranjos teciduais
Reconstrução modernaComo oferecer cobertura e suporte ao implante?ADMs e telas sintéticas
Matrizes absorvíveisComo oferecer suporte sem deixar reforço permanente?Estruturas sintéticas de absorção progressiva

Essa trajetória mostra por que interpretar inovação apenas como “uma nova prótese” já é insuficiente. A cirurgia mamária moderna está cada vez mais relacionada à engenharia do tecido e do suporte.

O próximo avanço está na previsibilidade estrutural

O crescimento da cirurgia revisional torna essa discussão ainda mais pertinente. O próprio levantamento da ISAPS registrou 42.231 retiradas de implantes no Brasil em 2024, além do grande volume anual de mastopexias e mamoplastias de aumento.

Isso significa que o cirurgião contemporâneo não recebe apenas mamas primárias. Recebe também pacientes com histórico cirúrgico, alterações de pocket, tecidos adelgaçados, perda de suporte e demandas de explante ou reconstrução.

É justamente nesse cenário que tecnologias de reforço tecidual passam a integrar um raciocínio mais amplo de planejamento.

Para a MEOTY, inovação em cirurgia mamária faz sentido quando amplia o repertório técnico do cirurgião diante de situações em que as estruturas naturais já não oferecem as mesmas condições de sustentação. A TIGR® Matrix se insere nessa trajetória como uma tecnologia de suporte temporário e absorvível, com literatura clínica em expansão e aplicações que devem sempre ser avaliadas conforme indicação e contexto cirúrgico.

O que a evolução das cirurgias mamárias indica para os próximos anos?

A tendência não parece apontar para uma técnica única, mas para uma cirurgia cada vez mais individualizada, preservadora e orientada pela biomecânica dos tecidos.

Isso significa selecionar não apenas o implante ou a cicatriz, mas avaliar qualidade do envelope, histórico cirúrgico, necessidade de reforço, posição desejada e capacidade dos tecidos de manter a arquitetura planejada.

A tecnologia passa, assim, a ocupar um papel mais preciso: não substituir a técnica cirúrgica, mas ampliar suas possibilidades.

Quais foram as principais evoluções da cirurgia mamária nos últimos 20 anos?
Houve refinamento dos implantes, dos planos de posicionamento, das técnicas de mastopexia e reconstrução e, mais recentemente, maior utilização de matrizes e telas para suporte de tecidos em situações selecionadas.

O que são telas cirúrgicas absorvíveis na cirurgia mamária?
São estruturas destinadas a fornecer reforço temporário aos tecidos. Dependendo do material, sofrem degradação progressiva enquanto ocorre integração e remodelamento tecidual.

Telas sintéticas e matrizes dérmicas acelulares são iguais?
Não. ADMs são matrizes biológicas derivadas de tecidos processados; telas sintéticas são produzidas com polímeros. Além disso, existem materiais sintéticos permanentes e absorvíveis.

O que é TIGR® Matrix?
É uma tela cirúrgica sintética totalmente absorvível, composta por fibras com 2 diferentes velocidades de degradação. No Brasil, possui indicação para reforço de tecidos moles em cirurgia mamária reconstrutiva prepectoral e submuscular.

Por que o suporte interno ganhou importância na cirurgia mamária?
Porque algumas situações envolvem tecidos insuficientes ou previamente alterados para sustentar adequadamente o implante ou a nova arquitetura mamária, especialmente em reconstruções e reoperações.

A tela substitui a técnica do cirurgião?
Não. Trata-se de um recurso complementar. Indicação, posicionamento, planejamento e seleção da paciente continuam dependentes da avaliação e da técnica cirúrgica.

A evolução continua dentro da sala cirúrgica

A história da cirurgia mamária mostra uma mudança consistente: cada avanço relevante surgiu quando uma limitação técnica deixou de ser aceita como inevitável.

Primeiro, o desafio foi reconstruir volume. Depois, aperfeiçoar forma, cicatriz e posicionamento. Agora, parte importante da discussão está em como criar estabilidade quando o tecido disponível já não é suficiente para sustentar sozinho o planejamento cirúrgico.

É nesse ponto que o suporte interno absorvível representa uma evolução conceitual: em vez de pensar apenas no resultado obtido ao término da cirurgia, considera-se também a estrutura necessária durante o período de cicatrização e remodelamento.

Para o cirurgião que acompanha essa transformação, conhecer biomateriais, indicações e evidências deixou de ser uma discussão periférica. Passou a fazer parte do refinamento técnico da cirurgia mamária contemporânea.

A MEOTY acompanha essa evolução levando ao cirurgião brasileiro tecnologias internacionais e suporte técnico próximo à prática clínica. Para conhecer a TIGR® Matrix e entender sua aplicação dentro das indicações disponíveis no Brasil, converse com a equipe MEOTY.