Explante mamário: quais desafios o cirurgião enfrenta atualmente?

A retirada de implantes mamários tornou-se um dos procedimentos que mais evoluíram na cirurgia plástica nos últimos anos. Mais do que remover uma prótese, o explante exige planejamento tridimensional, avaliação criteriosa da qualidade dos tecidos e estratégias para preservar o formato da mama após a cirurgia. Nesse contexto, tecnologias cirúrgicas e biomateriais passaram a desempenhar papel importante na previsibilidade dos resultados.

O crescimento da procura pelo explante reflete diferentes cenários clínicos: complicações relacionadas aos implantes, contratura capsular, ruptura protética, envelhecimento dos tecidos, mudanças estéticas desejadas pela paciente ou reconstruções após tratamentos oncológicos. Independentemente da indicação, o grande desafio permanece o mesmo: como manter estabilidade, contorno e qualidade estética após a retirada do volume proporcionado pela prótese.


O que é o explante mamário?

O explante mamário é o procedimento cirúrgico destinado à retirada de implantes de silicone, podendo ou não ser associado à capsulectomia, mastopexia, enxertia de gordura ou técnicas de reforço dos tecidos mamários.

O planejamento depende da anatomia da paciente, da condição da cápsula, da qualidade dos tecidos e do objetivo estético ou reconstrutivo definido para cada caso.


Por que o explante tem crescido mundialmente?

Embora o aumento dos explantes seja frequentemente associado às discussões sobre Breast Implant Illness (BII), diversos fatores contribuíram para essa tendência.

Dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) mostram crescimento contínuo dos procedimentos mamários revisionais nos últimos anos, impulsionado pelo envelhecimento das primeiras gerações de implantes, maior expectativa de naturalidade estética e aumento da longevidade das pacientes.

Além disso, revisões sistemáticas publicadas em periódicos como Plastic and Reconstructive Surgery e Aesthetic Surgery Journal demonstram que a cirurgia de revisão mamária representa uma parcela crescente da prática dos cirurgiões plásticos, exigindo domínio técnico superior ao de uma mamoplastia primária.

Mais do que retirar um implante, o explante frequentemente envolve reconstruir uma mama que sofreu anos de adaptação biomecânica.


Os principais desafios anatômicos após a retirada do implante

O comportamento da mama após o explante depende principalmente da capacidade dos tecidos remanescentes de sustentar novamente o volume glandular.

Entre os desafios mais frequentes estão:

  • perda da sustentação do polo inferior;
  • flacidez cutânea residual;
  • alargamento da base mamária;
  • deformidades do cone mamário;
  • assimetrias previamente mascaradas pelo implante;
  • redução da projeção;
  • alterações na posição do complexo aréolo-papilar.

Quanto maior o implante utilizado e maior o tempo de permanência, maior tende a ser o remodelamento dos tecidos.

Em muitos casos, a simples retirada da prótese não é suficiente para proporcionar um resultado estético satisfatório.


Como preservar a estabilidade da mama após o explante?

A estabilidade mamária depende do equilíbrio entre envelope cutâneo, ligamentos de sustentação, tecido glandular e qualidade da reconstrução realizada.

Na prática clínica, diferentes abordagens podem ser combinadas:

  1. Mastopexia associada ao explante.
  2. Capsuloplastias quando indicadas.
  3. Enxertia autóloga de gordura.
  4. Reforço interno dos tecidos.
  5. Utilização de malhas absorvíveis em pacientes selecionadas.

A escolha da estratégia deve considerar espessura dos tecidos, risco de recorrência da ptose e expectativa da paciente.


O papel das malhas absorvíveis na cirurgia de revisão mamária

Nos últimos anos, biomateriais absorvíveis passaram a ser utilizados como reforço interno em procedimentos mamários complexos.

Essas estruturas funcionam como um suporte temporário durante a fase inicial da cicatrização, distribuindo melhor as cargas mecânicas enquanto ocorre a remodelação tecidual.

Entre essas tecnologias destaca-se a TIGR® Matrix, uma malha totalmente absorvível composta por duas fibras com velocidades distintas de degradação, desenvolvida para fornecer suporte mecânico prolongado enquanto ocorre a formação de tecido conjuntivo organizado. Estudos demonstram que sua resistência diminui gradualmente ao longo da absorção, permitindo transferência progressiva das cargas ao tecido neoformado.

Na cirurgia de explante, esse conceito pode ser particularmente relevante em pacientes com:

  • tecidos muito delgados;
  • mastopexias extensas;
  • reconstruções complexas;
  • elevado risco de recorrência da ptose;
  • necessidade de maior estabilidade do polo inferior.

Como todo biomaterial, sua indicação deve ser individualizada segundo critérios clínicos e experiência do cirurgião.


Planejamento cirúrgico tornou-se mais importante do que o próprio explante

A evolução da cirurgia mamária demonstra que o sucesso do procedimento depende menos da retirada da prótese em si e muito mais da estratégia reconstrutiva adotada.

Hoje, o planejamento inclui avaliação de:

  • qualidade da pele;
  • espessura do tecido glandular;
  • integridade da cápsula;
  • posição do sulco inframamário;
  • elasticidade ligamentar;
  • necessidade de reforço interno;
  • expectativa estética da paciente.

Essa abordagem amplia a previsibilidade dos resultados e reduz a necessidade de revisões futuras.


Comparativo entre diferentes estratégias após o explante

Cada paciente apresenta necessidades distintas após a retirada do implante. A tabela abaixo resume as principais abordagens e suas indicações clínicas.

EstratégiaPrincipal objetivoIndicações mais frequentes
Explante isoladoRemoção da prótesePacientes com boa elasticidade cutânea
Explante + mastopexiaRemodelação do envelope mamárioPtose moderada ou importante
Explante + enxertia de gorduraGanho parcial de volumeDéficit de tecido e melhora do contorno
Explante + reforço interno com malha absorvívelMaior estabilidade dos tecidosTecidos delgados, mastopexias complexas e cirurgias revisionais


TIGR® Matrix: reforço interno para maior estabilidade após o explante mamário

Em pacientes submetidas ao explante mamário, especialmente quando há perda significativa de sustentação dos tecidos ou necessidade de mastopexias extensas, o reforço interno da mama pode contribuir para uma reconstrução mais estável. Nesse contexto, a TIGR® Matrix representa uma alternativa baseada em engenharia de biomateriais, desenvolvida para oferecer suporte mecânico temporário durante o processo de cicatrização.

A malha é totalmente absorvível e possui duas fibras com velocidades distintas de degradação, permitindo que a transferência gradual de carga ocorra à medida que o tecido conjuntivo da paciente se reorganiza. Essa característica favorece uma sustentação progressiva da mama sem a permanência definitiva de material sintético no organismo.

Na prática clínica, a TIGR® Matrix pode ser considerada em procedimentos de explante associados à mastopexia, cirurgias revisionais e casos com tecidos delgados ou maior risco de recorrência da ptose. Seu objetivo não é substituir a técnica cirúrgica, mas complementar o planejamento reconstrutivo, oferecendo ao cirurgião uma ferramenta para aumentar a previsibilidade da sustentação mamária no período pós-operatório. A indicação, naturalmente, deve ser individualizada conforme as características anatômicas da paciente e a estratégia adotada pelo cirurgião.


O que esperar da cirurgia nos próximos anos?

A cirurgia mamária caminha para abordagens cada vez mais personalizadas.

Em vez de protocolos padronizados, cresce o uso de tecnologias que auxiliam o cirurgião na adaptação da técnica às características biomecânicas de cada paciente.

Paralelamente, biomateriais absorvíveis, dispositivos para retração tecidual, sistemas avançados de lipoaspiração e equipamentos de remodelação dos tecidos passam a integrar uma estratégia cirúrgica mais abrangente, voltada para previsibilidade, segurança e estabilidade de longo prazo.

Esse movimento acompanha uma tendência observada em diferentes áreas da cirurgia plástica: incorporar tecnologias que reduzam variabilidade técnica e ampliem a consistência dos resultados clínicos.

Toda paciente precisa fazer mastopexia após o explante?

Não. A necessidade depende da qualidade dos tecidos, da presença de ptose, do volume retirado e do resultado estético esperado.

O explante sempre provoca flacidez?

Nem sempre. Pacientes com boa elasticidade cutânea podem apresentar retração satisfatória. Já em casos de grandes implantes ou longa permanência, a flacidez tende a ser mais evidente.

Quando considerar o uso de malha absorvível?

Em pacientes com tecidos frágeis, mastopexias extensas ou maior risco de perda de sustentação, o reforço interno pode contribuir para maior estabilidade da reconstrução.

O enxerto de gordura substitui a prótese?

Ele pode restaurar parte do volume, mas possui limitações quanto ao ganho volumétrico. A indicação depende da disponibilidade de tecido adiposo e do objetivo cirúrgico.

O explante é considerado uma cirurgia de revisão?

Na maioria dos casos, sim. Frequentemente envolve reconstrução dos tecidos mamários, tornando o planejamento mais complexo do que uma mamoplastia primária.


Conclusão

O aumento da demanda por explantes mamários evidencia uma mudança importante no perfil da cirurgia plástica contemporânea. Mais do que remover um implante, o procedimento passou a exigir compreensão aprofundada da biomecânica mamária, planejamento reconstrutivo individualizado e domínio de tecnologias capazes de ampliar a previsibilidade dos resultados.

Nesse cenário, recursos como sistemas avançados de lipoaspiração, tecnologias para retração tecidual e biomateriais absorvíveis ampliam as possibilidades terapêuticas disponíveis ao cirurgião. 

Empresas especializadas em tecnologia cirúrgica, como a MEOTY, contribuem para essa evolução ao disponibilizar soluções voltadas para diferentes etapas da cirurgia plástica, permitindo que cada estratégia seja adaptada às necessidades anatômicas e funcionais de cada paciente.